segunda-feira, 22 de julho de 2013

Uma experiência na escola pública

Matriculei Guilherminho numa escola pública, com muita convicção do que estava fazendo. Foi uma opção, claro, dps de conseguir a vaga através de um processo seletivo.

E entre muitas coisas boas que eu poderia destacar, uma foi surpreendente.

Há tempos que a professora vem me alertando sobre o comportamento do Guilherme em relação a outras crianças. Ela dizia:"Mãe, guilherme é muito carinhoso e ele quer o tempo todo abraçar outras crianças, principalmente a fulana (não vou colocar nome). Ele tem uma coisa com ela, de proteção mesmo. Mas ela não entende isso e não gosta dos abraços do Guilherme e vira e mexe ela, pra se defender, morde o Guilherme."

Taí uma coisa que me deixou preocupada. Como dizer pro meu filho que abraçar não era uma coisa legal??

Então, pensei muito e falei com ele.
Filho, não precisa ficar abraçando outras crianças toda hora. Tem amigo que não gosta muito.
Falei uma unica vez pq não estava convencida q Guilherminho estivesse errado. Mas como uma forma de protege-lo das mordidas das outras crianças. Até pq nunca assinei nada relacionado a atitudes "ruins" do Guilherminho. As conversas com a professora eram sempre, Guilherme foi mordido, alguém bateu no Guilherme e tals.

Aí fiquei pensando na tal menininha e o pq das atitudes dela. Pq os pais não corrijiam, pq isso pq aquilo.
Sei que meu filho pode talvez ter atitudes assim, mas acredito muito q isso é um reflexo de uma outra coisa. Dificil é detectar. Não acredito que é por maldade, é apenas reflexo de alguma situação.

Até q um dia, na hora da entrada, esperando abrirem o portão vi a menininha. Comecei a reparar que tinha um olhar triste, que não sorria.
No outro dia a mesma coisa, e assim foi. Vi que ela estava sempre com uma senhora e era bem provável não ser sua mãe. Talvez sua avó.

Um dia, tive a oportunidade. Não perguntei, mas a senhora sentou-se ao meu lado, no hall de entrada e comentou sobre a menininha.
" - faço questão de trazê-la todos os dias, pq ela se apegou a mim"
Fiquei curiosa e mostrei interesse na história.Aí a senhora continuou.
Cuido dela desde os três meses e achei muito bom qdo o juiz determinou q ela deveria frequentar uma escola.
Tava estampado na minha cara curiosidade e sem entender nada, comentei:
- Escola é bom pro desenvolvimento da criança!
Foi um comentário bem genérico, afinal eu estava cada vez mais perdida naquela história;
Até q a senhora comentou:
Ela fica no Abrigo e precisa de ter contato social com outras crianças. Eu trabalho no abrigo e quero muito q dê certo a vidinha dela, pq já vi muitos lá virarem marginais.

Meu mundo caiu!!!! 
Queria poder pegar aquela linda menina, colocar no colo, abraças até não poder mais. E dps levar pra casa e cuidar dela pra sempre.
Talvez tenha sido isso que o Guilherme sentiu. Ele não precisa saber da história pra ter sentimentos assim, pq criança sente as coisas e percebe através da inocência delas a verdadeira essência de cada pessoa.

Alguns talvez achem q essa é a parte ruim da escola pública, mas de verdade? Problemas assim existem e não há como esconder, e eu acho muito bom q meu filho conviva com situações assim, pra desde pequeno entender q é preciso conviver mostrando carinho e amor ao próximo.

A escola, jamais, fez diferenciação entre as crianças e tenho certeza q eu jamais ficaria sabendo dessa história através da equipe da escola. Hoje tenho outros olhos para a menininha. E incentivo sempre, Guilherminho a abraça-la, pq um dia ele vai estar certo...

As mordidas não acontecem mais...

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E antes de terminar queria deixar claro que:
Não abomino escola particular, sei q em alguma etapa da vida do meu filho ele passará por ela.
Não acho q meu filho é melhor q ngm, mas q tem uma estrutura familiar e acredito q isso faça diferença sim.


Beijos

5 comentários:

Carol disse...

Linda história Anine!!! Bento tb tem essa coisa de viver abraça,do os coleguinhas, mas como na sala dele só tem meninos, meu marido às vezes acha que algum pai pode não gostar da situação, mas eu nem ligo... Toda vez que o vejo abraçando algum amiguinho eu incentivo e digo que é lido... E eu acho lindo mesmo!!!

gisellerferreira disse...

Chorei!!!!

gisellerferreira disse...

Para nós que não ensinamos os nossos filhos a revidarem agressões, num primeiro momento é difícil entender essas atitudes em outras crianças, mas cada uma tem uma história de vida, que podem influenciar em suas atitudes...

Rebeca disse...

Eu me lembro a primeira vez que vc comentou sobre colocar o Guilherminho numa escola pública. Ná época estávamos em uma situação melhor, e eu fiquei meio assim, pensando se aceitaria ou não essa possibilidade.
Aí o mundo deu uma voltona, chegou a hora de Rafael estudar e a nossa única possibilidade é a escola pública.
Estou mais segura com os seus relatos, e acredito que dará certo.
E é a mais pura verdade: situações como essas ocorrerão dentro e fora da escola, todos os dias. Vc sempre me surpreende com suas palavras tão ponderadas e maduras. É sempre um alívio pro meu coração.

Beijo

aninepinheiro disse...

Rebeca,
Aprendi que escola é apenas detalhe qdo se tem pais que incentivam seus filhos. Acesso a cultura, estímulos, carinho e uma boa estrutura familiar é o principal.
Quem faz a escola somos nós.

Beijosss e firme na decisão. Vc precisa estar convencida pra isso, pq argumentos contrários sempre vão existir.