Esses dias a crise do Trabalhar fora x criar filho tentou me
pegar.
Não foi do nada, foi após uma palestra pra casais, onde a
preletora disse que qdo fosse avó jamais ficaria com netos, que essa tarefa ela
já havia realizado como mãe, que abriu mão do emprego pra criar os filhos e que
gostaria de ser a vovó legal e não aquela que educa.
Pois bem, esse discurso de vovó legal tb era da minha mãe
antes e durante a minha gravidez. Eu estava ciente disso, tanto que já estava
programada para pedir transferência pra um setor onde eu pudesse trabalhar meio
período e Guilherminho iria tranquilamente pra uma creche (eu cheguei a olhar
uma), nesse meio período em que eu estivesse trabalhando.
Era uma ótima solução pra que eu não precisasse pedir
demissão,a final sou funcionária pública e não é todo dia que a prefeitura ta a
disposição pra dar ou não emprego, não é?
Mas Guilherminho nasceu e minha mãe se prontificou a ficar
com ele. De bom grado, sem eu precisar pedir e de coração aberto.
Eu? Aceitei, claro! Pq a minha confiança seria muito mais
nela do que na creche. Aí o tempo foi passando e um ano depois de ter voltado a
trabalhar e estar trabalhando meio período, fui chamada pra voltar pro setor
antigo com uma promoção. Tudo foi conversado e há 7 meses estou trabalhando
período integral e Guilherminho fica com minha mãe o dia inteiro.
E as conclusões que eu tiro disso:
Minha
mãe não parou de trabalhar pra cuidar do meu filho. Ela parou de trabalhar pra
cuidar de nós, seus filhos, e meu irmão caçula tem 22 anos, ou seja, não é por
causa do Guilherminho que ela não trabalha fora.
Eu não
pago minha mãe, apesar de achar totalmente legítimo o pagamento, mas eu dou uma
ajuda financeira pequena pra ela, pequena perto de tudo que ela faz pelo
Guilherminho.
Ela é a
vovó legal, pq quem educa sou eu. Ela corrige, pq é avó e jamais deixaria ele
bagunçar tudo sem falar nada (ás vezes ela deixa, rs), mas quem educa e ensina
sou eu. Quem põe no cantinho pra pensar, sou eu. Quem ensina o que tem que
fazer ou deixar de fazer, sou eu!
Sou eu
quem determino o que ele pode ou não comer. Fui eu quem dei danoninho pra ele
(depois de 2 anos, claro), fui eu que proibi refrigerante.
Todos
os dias eu vou na hora do almoço e eu quem coloco ele pra dormir. Tentei dar
almoço, mas essa parte não deu certo, pq Guilherminho tava comendo mal por
estar com muito sono.
A
noite, quando ele está comigo, dou toda atenção pra ele e só faço alguma coisa
dps que ele vai dormir. Antes brincamos, assistimos desenho, pintamos,
conversamos... dou todo meu tempo pra ele e prezo muito aquele famoso “tempo de
qualidade”.
Eu sou
a mãe dele e ele sabe disso, me reconhece como tal. Minha mãe é a vovó legal,
que enche a piscina, faz cabaninha, assiste DVD com pipoca, leva pra sair,
corre no quintal, deixa pegar as panelas pra fazer de bateria.
Ano que vem Guilherminho vai pra
escolinha. Cedo demais eu até acho, mas é por necessidade, é pq eu trabalho
fora e essa foi minha escolha. Sair pra trabalhar me faz bem, me faz uma pessoa
feliz e se estou feliz consequentemente eu me torno uma mãe melhor. Não é simplesmente
uma questão financeira, tem haver com autoestima, com produção e com
desenvolvimento.
Se eu dia eu precisar parar de trabalhar, assim como muitas mães, pode ter certeza que vou arrumar alguma coisa pra me ocupar, pq isso é meu. Lindo quem se dedica a maternidade integralmente, totalmente, fulltime, daquelas que se dedicam a casa, aos filhos e ao marido. Admirável quem faz homeoffice (juro, que eu tb queria!) mas muito mais que fez a escolha certa pra si e segue feliz assim, como eu fiz.
Um dia, quem sabe, eu não me enquadre num homeoffice? Até lá, vou me desdobrando em mil, matando um leão por dia e tentando me especializar em alguma coisa q eu seja capaz de produzir em casa, pq por enquanto, só muito amor mesmo que é produzido e ao contrário do que diziam quando eu namorava, ninguém vive só de amor, né bem?!?